Início › Artigos

Reajuste do plano de saúde empresarial pequeno: como funciona e como comparar

O percentual chega uma vez por ano, e muita empresa só descobre quando abre o boleto. Dá para prever boa parte dele antes de contratar.

Flávio Trivelato Flávio TrivelatoFundador da VexSaúde · 15 anos dentro de operadora ·

Todo plano de saúde empresarial tem dois tipos de reajuste. Um acontece uma vez por ano, no aniversário do contrato. O outro acontece quando alguém do grupo muda de faixa etária.

Os dois têm regra. E quase ninguém olha para elas na hora de escolher o plano. Olha o preço da primeira mensalidade, que é justamente o número que menos diz sobre quanto você vai pagar daqui a três anos.

1. O reajuste anual

Empresas com até 29 vidas: o agrupamento

Se o seu contrato tem menos de 30 pessoas, a operadora é obrigada a juntar ele com todos os outros contratos pequenos que ela tem. Esse grupo é chamado de agrupamento, ou pool de risco. A regra está na RN 565/2022 da ANS.

No aniversário, todos os contratos do agrupamento recebem o mesmo percentual. Ele é calculado sobre o uso do grupo inteiro.

Pense num condomínio. A taxa sobe pelo gasto do prédio todo. Se o prédio gastou muito, você paga junto, mesmo sem ter usado nada. Por outro lado, se alguém da sua empresa tiver um problema de saúde caro, o custo se dilui entre milhares de contratos.

Duas consequências práticas:

  • Não adianta negociar o percentual. Ele é o mesmo para todos os contratos pequenos daquela operadora.
  • Dá para comparar antes. Cada operadora é obrigada a publicar o percentual do agrupamento no próprio site. O histórico dos últimos anos mostra como aquele grupo costuma se comportar.

Empresas com 30 vidas ou mais

Aqui o reajuste é calculado sobre o uso da sua própria empresa, a chamada sinistralidade. Se o grupo usou muito, o percentual vem alto. Se usou pouco, abre espaço para negociar. Nesse tamanho, acompanhar o uso durante o ano faz diferença no percentual do ano seguinte.

E o teto da ANS?

O teto que sai no jornal todo ano vale só para planos individuais e familiares. Para aniversários entre maio de 2026 e abril de 2027, ele é de 5,11%. Planos empresariais não têm teto. Por isso o percentual do seu plano da empresa pode vir bem acima desse número, e está dentro da regra.

2. O reajuste por faixa etária

Nos contratos feitos a partir de 2004, existem 10 faixas de idade. Cada vez que alguém muda de faixa, a mensalidade daquela pessoa sobe, no mês do aniversário dela.

FaixaIdade
1ª a 3ª0 a 18 · 19 a 23 · 24 a 28
4ª a 6ª29 a 33 · 34 a 38 · 39 a 43
7ª a 9ª44 a 48 · 49 a 53 · 54 a 58
10ª59 anos ou mais

A ANS põe dois limites. O valor da última faixa não pode passar de 6 vezes o da primeira. E o aumento acumulado entre a 7ª e a 10ª faixa não pode ser maior que o acumulado entre a 1ª e a 7ª. Depois dos 59 anos, não há mais reajuste por idade.

O que isso muda na escolha: cada operadora distribui esses aumentos de um jeito. Uma pode ser mais barata para um grupo jovem e ficar cara quando alguém chega aos 54 ou aos 59. Por isso a cotação precisa ser feita com as idades reais de cada pessoa. Média de idade esconde quem está perto de mudar de faixa.

3. Como comparar antes de contratar ou renovar

  1. Histórico do agrupamento. Veja o percentual que cada operadora aplicou nos últimos 3 a 5 anos. Um ano ruim acontece. Cinco anos seguidos acima da média mostram um padrão.
  2. Simulação de 3 anos com as idades reais. Some a mensalidade, o reajuste anual provável e as mudanças de faixa de quem faz aniversário no período. A opção mais barata no primeiro ano nem sempre é a mais barata no terceiro.
  3. Rede que vocês usam de verdade. Pagar por hospital que ninguém usa encarece o plano. Ficar sem o hospital que todo mundo quer gera troca no ano seguinte, e troca custa carência e tempo.
  4. Coparticipação. Ela baixa a mensalidade, mas aparece na conta de quem usa. Para grupos que usam pouco, costuma compensar. Para quem tem tratamento contínuo, nem sempre.
  5. Custo de sair. Se você já tem plano, confira se a nova operadora aceita aproveitar as carências cumpridas. Em muitos casos dá para negociar, mas precisa estar acertado antes da troca.

4. O que pode mudar em breve

A agenda regulatória da ANS para 2026 a 2028 inclui mudar o tamanho do agrupamento de 29 para até 400 vidas, com decisão prevista para o fim de 2026. As operadoras são contra. Se passar, muitas empresas que hoje negociam o próprio reajuste vão entrar no agrupamento. Acompanho o tema e atualizo este artigo quando houver decisão.

Quando vale trocar, e quando não vale

Reajuste alto num ano não é motivo suficiente para trocar. Às vezes a outra operadora tem um histórico pior, ou uma rede que não atende o seu grupo. Às vezes a troca compensa, com economia de até 15% já no primeiro ano e a mesma rede.

A única forma de saber é fazer a conta com os seus números. Quando a troca não compensa, falamos isso também.

Quer que a conta seja feita com os seus números?

Mande a carta de reajuste ou o último boleto do seu plano. Comparamos com as outras operadoras, simulamos os próximos 3 anos e explicamos o resultado. Sem custo.

Fontes: ANS, Resolução Normativa 565/2022 (agrupamento de contratos); RN 63/2003 (faixas etárias); ANS, teto de 5,11% para planos individuais e familiares; Futuro da Saúde, reajuste de planos coletivos na agenda da ANS. Conteúdo informativo, revisado em setembro de 2026.