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Reajuste do plano de saúde empresarial pequeno: como funciona e como comparar
O percentual chega uma vez por ano, e muita empresa só descobre quando abre o boleto. Dá para prever boa parte dele antes de contratar.
Todo plano de saúde empresarial tem dois tipos de reajuste. Um acontece uma vez por ano, no aniversário do contrato. O outro acontece quando alguém do grupo muda de faixa etária.
Os dois têm regra. E quase ninguém olha para elas na hora de escolher o plano. Olha o preço da primeira mensalidade, que é justamente o número que menos diz sobre quanto você vai pagar daqui a três anos.
1. O reajuste anual
Empresas com até 29 vidas: o agrupamento
Se o seu contrato tem menos de 30 pessoas, a operadora é obrigada a juntar ele com todos os outros contratos pequenos que ela tem. Esse grupo é chamado de agrupamento, ou pool de risco. A regra está na RN 565/2022 da ANS.
No aniversário, todos os contratos do agrupamento recebem o mesmo percentual. Ele é calculado sobre o uso do grupo inteiro.
Pense num condomínio. A taxa sobe pelo gasto do prédio todo. Se o prédio gastou muito, você paga junto, mesmo sem ter usado nada. Por outro lado, se alguém da sua empresa tiver um problema de saúde caro, o custo se dilui entre milhares de contratos.
Duas consequências práticas:
- Não adianta negociar o percentual. Ele é o mesmo para todos os contratos pequenos daquela operadora.
- Dá para comparar antes. Cada operadora é obrigada a publicar o percentual do agrupamento no próprio site. O histórico dos últimos anos mostra como aquele grupo costuma se comportar.
Empresas com 30 vidas ou mais
Aqui o reajuste é calculado sobre o uso da sua própria empresa, a chamada sinistralidade. Se o grupo usou muito, o percentual vem alto. Se usou pouco, abre espaço para negociar. Nesse tamanho, acompanhar o uso durante o ano faz diferença no percentual do ano seguinte.
E o teto da ANS?
O teto que sai no jornal todo ano vale só para planos individuais e familiares. Para aniversários entre maio de 2026 e abril de 2027, ele é de 5,11%. Planos empresariais não têm teto. Por isso o percentual do seu plano da empresa pode vir bem acima desse número, e está dentro da regra.
2. O reajuste por faixa etária
Nos contratos feitos a partir de 2004, existem 10 faixas de idade. Cada vez que alguém muda de faixa, a mensalidade daquela pessoa sobe, no mês do aniversário dela.
| Faixa | Idade |
|---|---|
| 1ª a 3ª | 0 a 18 · 19 a 23 · 24 a 28 |
| 4ª a 6ª | 29 a 33 · 34 a 38 · 39 a 43 |
| 7ª a 9ª | 44 a 48 · 49 a 53 · 54 a 58 |
| 10ª | 59 anos ou mais |
A ANS põe dois limites. O valor da última faixa não pode passar de 6 vezes o da primeira. E o aumento acumulado entre a 7ª e a 10ª faixa não pode ser maior que o acumulado entre a 1ª e a 7ª. Depois dos 59 anos, não há mais reajuste por idade.
O que isso muda na escolha: cada operadora distribui esses aumentos de um jeito. Uma pode ser mais barata para um grupo jovem e ficar cara quando alguém chega aos 54 ou aos 59. Por isso a cotação precisa ser feita com as idades reais de cada pessoa. Média de idade esconde quem está perto de mudar de faixa.
3. Como comparar antes de contratar ou renovar
- Histórico do agrupamento. Veja o percentual que cada operadora aplicou nos últimos 3 a 5 anos. Um ano ruim acontece. Cinco anos seguidos acima da média mostram um padrão.
- Simulação de 3 anos com as idades reais. Some a mensalidade, o reajuste anual provável e as mudanças de faixa de quem faz aniversário no período. A opção mais barata no primeiro ano nem sempre é a mais barata no terceiro.
- Rede que vocês usam de verdade. Pagar por hospital que ninguém usa encarece o plano. Ficar sem o hospital que todo mundo quer gera troca no ano seguinte, e troca custa carência e tempo.
- Coparticipação. Ela baixa a mensalidade, mas aparece na conta de quem usa. Para grupos que usam pouco, costuma compensar. Para quem tem tratamento contínuo, nem sempre.
- Custo de sair. Se você já tem plano, confira se a nova operadora aceita aproveitar as carências cumpridas. Em muitos casos dá para negociar, mas precisa estar acertado antes da troca.
4. O que pode mudar em breve
A agenda regulatória da ANS para 2026 a 2028 inclui mudar o tamanho do agrupamento de 29 para até 400 vidas, com decisão prevista para o fim de 2026. As operadoras são contra. Se passar, muitas empresas que hoje negociam o próprio reajuste vão entrar no agrupamento. Acompanho o tema e atualizo este artigo quando houver decisão.
Quando vale trocar, e quando não vale
Reajuste alto num ano não é motivo suficiente para trocar. Às vezes a outra operadora tem um histórico pior, ou uma rede que não atende o seu grupo. Às vezes a troca compensa, com economia de até 15% já no primeiro ano e a mesma rede.
A única forma de saber é fazer a conta com os seus números. Quando a troca não compensa, falamos isso também.
Quer que a conta seja feita com os seus números?
Mande a carta de reajuste ou o último boleto do seu plano. Comparamos com as outras operadoras, simulamos os próximos 3 anos e explicamos o resultado. Sem custo.
Fontes: ANS, Resolução Normativa 565/2022 (agrupamento de contratos); RN 63/2003 (faixas etárias); ANS, teto de 5,11% para planos individuais e familiares; Futuro da Saúde, reajuste de planos coletivos na agenda da ANS. Conteúdo informativo, revisado em setembro de 2026.